
Fora do Bloco e completamente destinada aos foliões pipoca, a apresentação do trio eletrônico de Daniela Mercury será palco de muitas celebrações. A primeira é a comemoração dos dez anos de lançamento do trio eletrônico, uma ousadia que causou um grande impacto no carnaval da Bahia em 2000, que cresceu ano a ano até ser anunciado, pela prefeitura de Salvador, e comprovado através de fotos aéreas, como a maior pipoca da história do carnaval baiano.
Esse pioneirismo acabou causando, definitivamente, a adoção da música eletrônica como uma das presenças anuais do carnaval baiano, a exemplo dos desfiles de blocos com Fat Boy Slim, Tiesto e outros DJs consagrados internacionalmente.
Nesse dia, Daniela cantará, ao longo de seu desfile pelo circuito Barra/Ondina, diversas canções gravadas por ela com influência da música eletrônica, como Praieira (Chico Science), Mutante (Rita Lee / Roberto de Carvalho), Por trás da Fantasia (Marcelo Quintanilha), Pára de Chorar (Alexandre Peixe / Beto Garrido / Daniela Mercury / Nelson Motta), Preto e Branco (Dudu Fagundes / Santos Diniz)e Vou Batê Pá Tu (Orlandivo / Arnaud Rodrigues).
Também é no trio eletrônico que Daniela vai fazer a sua homenagem ao centenário de Carmem Miranda no carnaval. Ela vai cantar as duas músicas de Carmem Miranda que gravou com roupagem eletrônica para seu novo disco, Canibália, previsto para ser lançado no segundo semestre. Tico Tico no Fubá (Abreu Gomes), talvez a mais conhecida música de Carmem no mundo, e O Que é Que a Baiana Tem, composição de Dorival Caymmi que inspirou Carmen na construção do que viria a ser a base estética e gestual da sua persona artística, e que se consagraria nos Estados Unidos: a baiana estilizada. Além disso, Daniela cantará Oyá por Nós (Daniela Mercury e Margareth Menezes), canção criada para celebrar os 10 anos do trio eletrônico e que é a síntese mais nova da música contemporânea e urbana de Daniela, que vem misturada com batidas eletrônicas. Essa canção é uma mistura de galope com drum’n’bass. Nesse mesmo dia, o folião pipoca poderá conferir, pela primeira vez, a interpretação de Trio em Transe. A canção, que também está no disco novo, tem como inspiração o baiano e antropofágico, Glauber Rocha, e é uma homenagem ao cinema brasileiro, e especialmente à própria Carmem Miranda.
Candomblé eletrônico e Blocos Afro
O trio eletrônico, este ano, será palco também de uma homenagem especial aos 35 anos do Ilê Aiyê, aos 30 anos do Olodum, duas das mais diretas influências na carreira e na obra de Daniela Mercury e aos 60 anos dos Filhos de Gandhi
Para dar ao eletrônico a força afro que essa homenagem exigia, Daniela convidou a cantora Margareth Menezes; o DJ Patife, um dos mais importantes do Brasil e o músico Marivaldo dos Santos, baiano radicado nos Estados Unidos, que trabalha com o Stomp, um grupo percussivo de vanguarda que se celebrizou no mundo inteiro, e que vai, ao longo do desfile, fazer intervenções com percussão eletrônica e uma performance “a La Stomp” com os bailarinos que compõem a cena no Triatro.
A partir de pesquisa com os ritmos, tambores e percussões usadas nas festas do candomblé, Daniela vai apresentar no trio eletrônico o que denominou Candomblé Eletrônico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário